Arquivo do mês: agosto 2010

“O Outro”

“Nunca olhei pr’os lados. Pra não perde a direção…” (Girassóis – Cidadão Quem).

Boa noite! Sei que a “voz” esteve calada por um bom tempo, mas se assim esteve, foi para que na ausênsia de sua voz, pudesse ouvir.

Neste período de silêncio, muito pude aprender e como fruto deste tempo de aprendizado, ou seja, não só estes meses, mas “todos” os meus 22 anos de vida, surge “O Outro”.

O trecho da música da Cidadão Quem, banda gaúcha que gosto muito, retrata o modo como muitas pessoas que conheci agem e dentre estas posso me colocar como um, que durante um bom tempo “não olhou para os lados, para não perder a direção”, certo que desta forma toda a minha atenção estaria concentrada no foco. 

Depois de alguns anos e de algumas conquistas, pude perceber que cheguei aos finais de muitas situações de minha vida, sem notar como tudo aquilo tinha acontecido. A virtude de “não olhar p’ros lados”, passou a ter outros ares quando finalmente olhei para trás, olhei para os lados e por fim para mim. Notei que por ter andado daquela forma, deixei de olhar para coisas que eram valorosas, também percebi que machuquei muitas pessoas e inclusive a mim mesmo.

“…o mundo ao meu redor andava a 300 por hora e eu estava sempre uma volta a frente”

Me tornei cego a ponto de não perceber que haviam pessoas que se preocupavam comigo, as quais eu simplesmente dizia que faria daquela forma mesmo. Em boa parte das vezes eu nem as escutava.

Ajudava a todos, sofria por todos, amava a todos, resolvia tudo, mas sempre havia um vazio, após o total esgotamento.

Certo dia, não lembro qual, nem o mês, mas creio que foi no ano de 2008, senti a necessidade de novas experiências. Foi então que comecei a diminuir o ritmo, com a fundamental ajuda de pessoas que me amam. Estranho dizer isto, mas as novas experiências chegaram ao reduzir e não ao acelerar, como eu achava antes que deveria ser.

Para me ajudar a entender essa passagem, vali-me da seguinte cena.

– Um motorista, que todos os dias durante o ano passa pela a mesma estrada a 100km/h, e em um dia qualquer, ver-se obrigado a andar a menos de 20km/h, por conta do fluxo.

Inesplicavelmente ele olha pela janela do carro, extremamente chateado e se depara com um céu límpido, com montes e campos verdes, com uma lagoa enorme e logo pensa – “estou dirigindo na estrada errada e não naquela que sempre percorro”.

– “É sério!” – eu diria para ele

– “Você esta na estrada certa, a mesma de sempre, só que agora você está dirigindo este carro da maneira correta e não mais da errada”.

O motorista sou eu! Mas também pode ser um outro, uma outra…aliás. pode ser você!!!

Quando recebi “O Dom de Olhar”, e devo lembrar a mim mesmo o quanto ainda preciso aprender a olhar, pude sentir o peso de anos e anos vivendo pra chegar a um final. Meus amigos me contavam os nossos feitos, e me mostravam detalhes que eu não pude perceber. Eram pequenos detalhes, mas que davam um charme, como o amarelo das espigas de milho, sob o verde dos caules do milharal. Podiam ser pequenos, mas eram belos. Por conta deste pequenos o final se fazia grande!

Agora tive em minha mente a seguinte imagem:

Eu olhando para o face de Jesus e Ele, olhando para meu rosto e logo após para trás de mim. Quando eu me virava, pudia ver um terceiro rosto. Era o rosto do outro.

Quem é o tal outro? Não sei! Pra mim pode ser você, para ti eu posso ser o outro.

“Cristo olhou o jovem e amou o jovem” – assim diz uma das traduções da passagem do evangelho com o título de “O Jovem Rico”.

No final o que todos esperavam não aconteceu, o jovem se foi, de cabeça baixa, talvez triste. Jesus teria sido frio? Acho que não. Acho que Ele fez a parte que Lhe cabia, Ele olhou e o jovem fez uma escolha.

Você já olhou para alguém hoje, mas olhou mesmo?

Talvez o que o outro mas precise não seja o seu olhar, mas isso pode ser um começo.

“Sei que demorei muito entender e talvez me falte muito ainda, Senhor, mas quero que saiba que estou grato por tudo que me permitiste até aqui.”

Obrigado por olhar com amor para mim! Espero ser capaz de fazer o mesmo pelo meu irmão, aquele que eu chamei de outro!

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Arquivado em "Amai o próximo como a ti mesmo"